Fim dos Tempos ou Fim dos Templos?

Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão.
E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.   E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.
Mateus 24:10-12
A interpretação do trecho acima não deixa dúvidas: a explosão da iniquidade é fruto direto da dissensão da Igreja e das mentiras em nome de Cristo que justificam as divisões. A multiplicação do erro que resulta no fim trágico da Igreja não vem do desenvolvimento da ciência, do crescimento populacional, do avanço de outras religiões. A culpa é nossa mesmo.
Após tantos anos andando na direção errada, talvez alguém pergunte: Ainda tem jeito? Resposta: É lógico que sim, Cristo é a Ressurreição! Mas não é continuando a fazer as mesmas coisas que teremos a sonhada unidade, que vamos parar de escandalizar, trair, odiar uns aos outros, e vamos deixar de ser falsos profetas e enganar a muitos.
As divisões no Corpo de Cristo são as principais razões para a iniquidade atual. Jesus nunca desejou o supermercado da fé. Hoje vou me concentrar em um aspecto que considero muito importante na estimulação do supermercado da fé: a centralidade do templo.
Centralidade do Templo:
Tudo gira em torno dele. As velhas pedras e construções que Jesus falava continuam sendo um objeto tão amado e desejado. Oh, estacionamento! Oh, ar-condicionado! Deus proíba que a música saia desafinada! Que o pastor não fale com a cadência e a retórica esperadas. O culto mais parece um espetáculo para o consumo da massa. E as campanhas de construção de templo, de reforma do templo! Seria tão bom que o templo não fosse o corpo do cristão, mas as adoráveis pedras e construções.
Tudo o que o diabo quer é colocar a sua vida cristã confinada em algum lugar algumas horas por semana, de modo que não haja vida cristã nenhuma de fato. Aliás, sua carne quer o mesmo. A congregação se divide de modo que alguns grupos dividam o templo ao longo da semana (grupo de jovens, grupo de mulheres, grupo de oração, grupo de evangelismo, grupo de adoração, etc.), o pastor recebe as pessoas lá. Entre aquelas paredes está o centro da vida religiosa das pessoas.
Já o tabernáculo do deserto era móvel. Jesus era o templo móvel. A Igreja é Jesus ambulante. Jesus diz que o mundo jaz no maligno, e que Satanás é o príncipe desse mundo. Quanto mais livre das pedras e construções, mas livre é o evangelho. Quanto menos focado nas pedras e construções, mais focado nas pessoas. Se não temos a segurança de um prédio, só nos cabe mendigar a Deus pela sua graça e sua revelação.
Alguns podem afirmar: Mas sem um prédio, as pessoas não virão! Virão, se o Pai as enviar. O que acontece muitas vezes é que as congregações estão cheias de gente que entraram na igreja pelo mesmo motivo que o cachorro: porque a porta estava aberta. São pessoas que não tem o menor compromisso com Cristo, querem o ambiente gostoso, as conversas amigáveis, ter a impressão que estão bem com Deus, mas sem morrer para si mesmas.
O prédio tende a ser um custo alto que impede uma palavra de correção, de repreensão. Há contas a pagar, e sem uma mensagem agradável, as pessoas vão para outro lugar, as contas deixam de ser pagas. A cultura do prédio e da placa incentiva o desconhecimento da identidade dos ingressantes, gerando um ambiente de superficialidade. A linha é de que um evangelho diluído, uma palavra amiga, é melhor do que nada.
O padrão de Cristo é bem diferente. Jesus chamou os apóstolos, e investiu pesadamente em sua formação. Ensinar a guardar todas as coisas que Jesus ensinou é a nossa missão. As pedras e construções do Templo davam uma falsa noção de segurança para o povo de Israel, o que levou o povo a ser destruído.
Os prédios também são manifestações visíveis de nossos fracassos. Quando se passa na rua e vê tantas igrejas, logo se percebe que esse negócio não é sério. Isso sem falar nas vaidades, no sistema prosperitário das “igrejas” franquia universal que investem em lindas fachadas para atrair os desejosos de pedras e construções, etc.
Spurgeon já avisava que as igrejas estavam se tornando teatros. Os cultos, shows. A cultura do entretenimento – principalmente na música, mas também nos sermões, no conforto no templo, sua boa localização – se implantando pois as pessoas estavam acostumadas a chegarem em um lugar e serem entretidas.
Por fim, cada prédio pode ser objeto de um sem número de brigas e contendas, resultando em que naquele prédio se forme uma nova congregação por briga e divisão áspera. O ganho em ter um prédio pela semana inteira quando o uso é bastante pequeno é questionável. As perdas são garantidas. Porque não alugar apenas um lugar no domingo, pagando bem menos?
Quando deixamos de ter o templo no centro, podemos nos voltar para as pessoas. Como elas estão machucadas! São como ovelhas sem pastor. Como não vimos isso antes?
Liberar as pessoas de seus centros geográficos tem um impacto sobre a unidade da Igreja. Abandonar as bengalas que imitam unidade e comunhão para ter verdadeira unidade e comunhão tem como consequência a sobrevivência dos mais próximos à Palavra, enquanto outros que estavam lá pelo conforto das pedras e construções vão procurar outro lugar. É nessa proximidade decorrente das aflições da luta pela permanência e crescimento sem poder dar às pessoas a falsa segurança que elas naturalmente desejam e esperam, que o Espírito vai construir a unidade, mesmo entre diferentes congregações.
Isto porque em todos os lugares existe um número de verdadeiros fiéis a Cristo, mas para fazer o sistema rodar, o privilégio é dado ao número maior que compõem a massa superficial e carnal. A minoria tem a opção de entrar no ativismo eclesial ou se virar sozinha. Sem as pedras e construções, o privilégio passa a ser da minoria que quer Cristo de verdade. Essas pessoas tendem a reconhecer seus semelhantes em outros lugares.
Não ter prédios chamados de igrejas não significa que a congregação não possa eventualmente ter escolas, gráficas, até quem sabe uma faculdade, etc. Todas essas instituições são importantes para a vida civil dos santos. Mas não se confundem com a Igreja.
Se queremos reverter o processo afirmado por Jesus em Mateus 24.10-12, cabe a nós revermos a nossa estrutura templal. De pouco adianta falar e falar que agora o templo do Espírito Santo é o corpo se na prática continuamos agindo como se ainda estivéssemos na Antiga Aliança.
Ou seja: é fim dos templos ou fim dos tempos!

Abraço,

Rodrigo

Doulos Christos

Sobre Carlos A. Bächtold

Sou um discípulo de JESUS CRISTO. Casado com Adriana Bahiense Scansetti Bächtold, temos dois filhos: Daniel e Débora. Atualmente resido em Foz do Iguaçu, onde busco ser semelhante a JESUS, crendo em tudo o que ELE ensinou e obedecendo a tudo o que ELE ordenou. Para isso busco viver segundo o Evangelho do Reino, procurando fazer discípulos por onde vou. No momento atuo como professor de ensino fundamental na Rede Municipal de Educação.
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